domingo, 2 de junho de 2013
mar adentro
O direito à vida que temos é nossa liberdade única e intransferível, mas ao passo em que a nossa vontade de desejar e ter uma morte digna é negada e refutada aos olhos de quem está a nossa volta e a quem “servimos”. O filme nos mostra o quão somos regulados socialmente e até mesmo domesticados a negar a liberdade quanto a eutanásia, pois nos fere no sentido de provocar-nos a vontade da nossa liberdade. Somos todos seres suscetíveis as tristezas e desesperanças do mundo moderno, mas ao mesmo tempo em que nos damos conta disso, fomos ensinados de que o “sofrimento” é um aprendizado e buscamos nesse um sentido para continuar vivendo.
A moral e o social nos ditam que a liberdade é de cada um mas sem com que possamos ferir onde começa a liberdade do outro. Seria a vontade da morte uma transgressão além do eu mesmo? Acredito que somos feitos de vontades de dar sentidos a vida, e pensar que os sentimentos ruins são passagens de uma vida, nos criam humanos sem liberdade.
Ao mesmo tempo em que o conceito de eutanásia no seu sentido literal venha ser uma morte digna, a medicina e ao clã espiritual a que a sociedade e o estado estão submissos, nos dizem que essa mesmo palavra é apenas uma aceleração da morte. Coisas tão contrarias, falando da mesma coisa? É justo o ideal da liberdade, ser e não ser ao mesmo tempo.
Ir mar a dentro, viajar, voar. Pensar é nossa única liberdade, e mesmo ela, também é passível de julgamento, nosso próprio julgamento incisivo e domesticado dentro de nós mesmo. A única coisa que nos fere mais do que a própria morte, é morte de outra pessoa. Vemos acontecer todo momento, e sabemos que nascemos premeditados a morrer um dia, mas negamos a opção de que se possa acontecer cedo, ou que mesmo uma decisão venha a traze-la, mesmo assim a trazemos como uma utopia, que irá demorar a acontecer.
O que nos fere é a liberdade do outro em assumir seus atos como reveladores de sua vontade e sua manifestação de desejo? O que nos fere é a opção de decidir sobre o que se quer ou não? O que nos fere é a capacidade de mentirmos para si próprios para conservarmos algo que nos foi entregue e dito: vá e viva, está livre?
O filme mar adentro, é triste mas nem por si só, deixa de nos trazer a verdade sobre a vida, sobre a real liberdade que nos impede e impele a todo momento de buscar um sentido. De nada adianta darmos sentido sem fazer sentido para aquilo. A busca por razoes, por opções, nos tornam “cegos” e “oprimidos”. Geralmente a questão da morte ou nos aparece no fim das nossas vidas ou de alguém que esteja a nossa volta, ou então quando nos sentimos frustrados e inoperantes diante do mundo a fora. A busca de sentido é operante a todo instante. Fabricamos “desculpas” e objetivos para continuar seguindo na moral e na linha das regras aos quais fomos criados, nos vemos de mãos amarradas a cadeiras de rodas, imóveis em camas, dependendo do outro ou de outros até mesmo para desejar a morte, não como uma solução problemas, mas como um sentido da vida.
Ao fim em que todas as opções e recursos se esvaem, a saída para um sentido da vida, sem que haja consentimento de “outros”, é o suicídio, ao mesmo tempo na profissão de psicólogos, nos vemos amarrados ao conceito de que ninguém pode se auto provocar algum dano, mesmo a própria morte, não se poderia desejar. Pelo código de ética e durante o curso somos “treinados” a ouvir e sentir os desejos e as vontades, e “adequar” ou mesmo que ajuda-las a encontrar uma maneira de se incluir nas normas da sociedade.
Em todas as profissões somos submetidos a não olhar a vontade de quem servimos, contato que esse não cause danos a ele mesmo ou a outros. Somos regrados a dar sentido a tudo e a todos, e não concordar em quem não vê o dá o mesmo sentido que o nosso. Vivemos a expressão a liberdade utópica e da vontade de pensamentos infinitos. Só podemos voar enquanto nossos desejos não são mais do que apenas utópicos.
Ao ver o filme, sentir a mesma vontade ou dar-se conta de que algum dia já passastes por isso, nos faz repensar e refletir sobre nossos sentidos de vida, e é a partir de um sentido em que vemos a vida como um não julgamento e sim uma opção, nos refazemos humanos.
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